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Como resposta ao chamamento da Congregação Geral XIV de uma opção preferencial pelos mais pobres, a Congregação Provincial de 1991 decidiu fundar uma comunidade de inserção.
A 4 de Setembro de 1992 inaugurou-se a Casa da Quinta da Fonte da Prata, bairro social que deu acolhimento a muita gente vinda dos países africanos de expressão portuguesa, e a famílias do Norte, Sul e Interior do país que vinham para a zona industrial do Barreiro, Setúbal e Lisboa em busca de trabalho e de melhores condições de vida. Este bairro situado perto da Moita, pertence à Paróquia de Alhos Vedros, Diocese de Setúbal. A decisão não foi fácil. Havia outras possibilidades que se foram deixando de lado. Concretamente na zona de Almada, a casa que nos propunham era demasiado boa, contrastando fortemente com as outras casas do bairro. Na Fonte da Prata podíamos viver num andar igualzinho ao das outras pessoas, o que fizemos comprando um apartamento na Rua Eça de Queiroz, bloco H, nº 20, 1º D. Mas, a opção por este bairro, deveu-se fundamentalmente ao facto de já sermos conhecidas pelos moradores e pelo Pároco, pelo trabalho que já se tinha vindo a realizar há alguns anos com grupos de voluntariado e, a partir da casa de Palmela, com as aulas de religião e moral que se davam na escola primária. Ao princípio não estava claro se uma das irmãs iria trabalhar para o Centro Social Nª Senhora da Paz ou se iria dar aulas para a Escola do bairro. Fez-se um discernimento para ver onde haveria maior necessidade e onde se poderia estar mais ao serviço dos que precisavam. Decidiu-se pelo Centro Social, o que representou, naquele tempo, uma verdadeira opção pelos mais pobres. A Escola implicava um melhor salário e maior prestígio, mas o Centro estava mais abandonado e necessitado de maior apoio. Este Centro constava dum Jardim de Infância e de um ATL para crianças do 1º ao 4º ano do Ensino Básico. O trabalho no Centro permitiu um grande contacto com as famílias, que se aproximam de nós através das crianças. Foi possível realizar, também opções evangélicas, tais como a aceitação, no Centro, de crianças que não podiam pagar, o que anteriormente não acontecia. Permitiu, igualmente, tomar conhecimento de muitas das carências do bairro. Durante o tempo em que assumimos a coordenação do Centro, foram surgindo novos projectos em favor da população do bairro: a abertura do Centro “PARAGEM” para jovens dos 14 aos 25 anos – inserido no Projecto de Luta Contra a Pobreza, com fundos da União Europeia, tendo por objectivo a prevenção de comportamentos marginais através da ocupação de tempos livres com actividades formativas e recreativas; o serviço de semi-internato – um projecto de colaboração com o Tribunal de Menores, a CPCJ, e a Segurança Social, para acolhimento, durante o dia, de crianças em situação de risco; o serviço de apoio domiciliário. Tendo deixado a coordenação do Centro em Julho de 2004, a Congregação candidatou-se ao Programa Escolhas 2ª Geração com um projecto de prevenção ao abandono escolar – Projecto TASSE - , para responder a uma realidade que afecta cada vez mais a população mais nova do bairro. Com o desejo de apoiar as famílias economicamente mais carenciadas, formou-se, em 1999, o Grupo Sócio-Caritativo Nossa Senhora da Paz, coordenado por uma das irmãs. Este grupo é constituído por 6-8 voluntários, moradores do próprio bairro, que, com o espírito dos grupos da Caritas diocesana, apoia cerca de 135 famílias através de visitas domiciliárias e da distribuição de géneros alimentares, roupa, bens diversos. Para além do trabalho no TASSE e na Caritas, as irmãs têm dado as aulas de Religião e Moral nas Escolas primárias da zona da Moita e Alhos Vedros, chegando desta maneira a um grande número de crianças, muitas das quais nunca tinham ouvido falar de Jesus. Também a nível da Catequese, tem sido desenvolvido um trabalho muito positivo e necessário, na coordenação das actividades e grupos e apoio às catequistas (ajuda na preparação das sessões, reuniões de formação de catequistas, disponibilização de materiais). Ainda no campo da colaboração paroquial, uma irmã assume a Celebração da Palavra quando o Pároco não pode celebrar a Eucaristia em zonas rurais que pertencem à Paróquia. A Comunidade tenta dar testemunho de Cristo através das relações que mantém com as pessoas do bairro, da atenção, respeito e dedicação que lhes manifesta. Para isto muito contribuem as visitas aos doentes, idosos e pessoas sós que se realizam, assim como a ajuda no encaminhamento para os respectivos organismos para a resolução de diferentes problemas (p.e. documentação, contratos, direitos sociais, etc.). Levar às pessoas com quem contactamos a riqueza do nosso Carisma, como nos desafia a Congregação Geral XV, tem sido algo que a Comunidade se tem proposto através da exposição do Santíssimo três vezes por semana na Capela do Bairro, a que adere muita gente, e através dos grupos ACI que têm movimentado grande número de crianças e jovens monitores. Mais informações em: - http://tasse.programaescolhas.pt - http://tasse_na_net.blogs.sapo.pt/ |