Esta frase traduz tudo o foi o Primeiro Encontro Nacional da Família ACI, dos dois grupos de Belo Horizonte e Montes Claros, de 14 a 16 de Março deste ano, na Casa de Nazaré em Montes Claros, Brasil. Os de Montes Claros, tínhamos grande expectativa pela chegada de nossos irmãos e irmãs de Belo Horizonte. Nosso primeiro contato foi de muita festa, acolhida mútua e muita alegria que contagiou a todos, com os cantos, danças, abraços e desejos de boas vindas. A impressão maior foi a de sentir que já nos conhecíamos fazia muito tempo.
O espírito de família se fazia presente, comunicando-nos e fazendo-se comunicar através das expectativas, sonhos e desejos de encontrar-nos e partilhar nosso “jeito” de ser Família ACI, e, além disso, fortalecer nossa identidade e nosso sentido de “pertencer”. Sou parte de uma família especial, que tem uma maneira própria de ser no meio de nossa gente. Este sentimento esteve presente em todos os momentos do encontro. Os temas trabalhados nos conduziram para uma maior aproximação dos dois pontos centrais (Jesus Cristo e Rafaela Maria) que são nosso horizonte como membros da Família ACI. 1. Escolhe, pois, a vida; (Dt. 30,19) 2. Escolher a vida ao estilo de Santa Rafaela Maria; 3. Nosso jeito de escolher a vida como Família ACI;  No Brasil, todos os anos no tempo de Quaresma, refletimos a nível nacional um tema escolhido pela CNBB (Conferência Nacional do Bispos do Brasil), para aprofundar como Igreja e buscar juntos formas de dar respostas aos desafios que o tema trás, à luz da Palavra de Deus. Este ano de 2008, o tema refletido foi: “FRATERNIDADE E DEFESA DA VIDA”, tendo como pano de fundo, o texto bíblico, Deuteronômio: “Dt.30,11ss”, e o lema: Escolhe, pois, a vida... Sabemos que fomos criados para a vida e para sermos felizes. E expressamos nossa preocupação com a vida humana, que esta ameaçada em todos os sentidos: pelo aborto, pelo mau atendimento na saúde, pela fome, pela violência, pelas drogas e tráfico, pelo crime organizado dentro das penitenciarias, pelo desemprego, pelas mortes de inocentes, pelos medos, pela vida sedentária, pela perda dos valores, pela perda do sentido da vida, pela política, pela economia, pelos meios de comunicação, pelo aquecimento global, pela natureza que geme pelas conseqüências da exploração humana, pela ciência e seus conhecimentos científicos que em muitos casos põe em risco a vida, pelo individualismo, e por essa sociedade neoliberal que impõe uma cultura que é mais de morte que de vida.
E com este tema: “ESCOLHE, POIS, A VIDA”, começou nosso encontro, com a colaboração de Ir. Carmem Flores, que nos ajudou a refletir desde nossa realidade, por meio de nossa experiência pessoal com o Senhor. E, além disso, nos orientou para um momento de oração, o qual cada um, cada uma, a sós com o Senhor. Depois houve uma partilha em grupos, inclusive o grupo da Família ACI mirín, (formado por crianças e adolescentes). A partilha deu espaço para a abertura, para a confiança mútua e o enriquecimento de todos.
O segundo momento foi orientado pela Ir. Maria Manoel, que nos conduziu pelos caminhos de Rafaela Maria, nos fez seguir seus passos, para contemplarmos o mistério de Deus em sua vida, em suas decisões, suas entregas e também suas opções pela vida, vida esta, que estava enraizada no coração de Jesus Cristo. E para nós podermos tocar um pouquinho o que foi a vida de Rafaela, provocou em nosso coração o desejo de conhecer mais e mais sua vida. Fizemos depois da colocação um trabalho em grupo, cada grupo ia aprofundar uma parte da vida de Rafaela Maria, desde a infância, adolescência, a fundação da congregação, a perseguição por parte da irmã e a reconciliação das duas, até o se tornar cimento para o Instituto. O grupo mirín, trabalhou com o que mais lhes tocou da vida de Rafaela Maria. Em seguida, tivemos um plenário, onde se pode ver a riqueza dos trabalhos e partilhas. Rafaela tem muito de Deus que nos contagia a todos, com um amor apaixonado por Jesus, e que nos provoca e nos convida a algo mais.
No sábado pela noite, tivemos uma noite cultural, cada grupo (Belo Horizonte e Montes Claros) preparou algo especial para partilhar desde a cultura de cada um, ainda que fazemos parte de uma mesma cultura, somos de região diferente, e existe coisas diferentes uma da outra. Tivemos teatro, música, comidas e bebidas típicas, e no final, o nosso famoso forró, uma dança do nosso povo.
No domingo pela manhã, descemos todos para Montes Claros, para a paróquia Nossa Senhora de Montes Claros e Beato José de Anchieta, onde vivem e atuam as irmãs servas e os Jesuítas. Fomos para a comunidade de Santo Amaro, uma das comunidades da paróquia, para participarmos da celebração Eucarística do Domingo de Ramos, juntamente com povo daí. Iniciamos a celebração e depois fomos em procissão até a comunidade Santa Rafaela Maria, onde concluímos a celebração e partilhamos um momento com o povo. Em seguida, os de Belo Horizonte, foram conhecer o Projeto Aquarela, onde trabalham as irmãs, e retornamos para Casa de Nazaré.  Pela tarde, foi trabalhado o tema: “Nosso jeito de escolher a vida como Família ACI”. Levando em conta que tem na Igreja muitos dons e muitas maneiras de seguimento a Jesus Cristo, e que cada qual atua da forma que o espírito os inspira e o necessita. E nós como membros da Família ACI, como estamos construindo nossa identidade, nossa maneira de ser e atuar? Como descobrimos isso? Em um primeiro momento, somos convidados a olhar Rafaela Maria e a quem ela contemplou em toda sua vida. O olhar de Rafaela estava direcionado no olhar do seu Senhor, e com Ele aprendeu a olhar e a deixar-se olhar e com este olhar se sentiu amada, e capaz de sair de si mesma para ir ao encontro com o outro, com atitude de acolher, colocar-se na pele do outro, compreender, não julgar, e colaborar para que o outro tenha vida e dignidade. E através do olhar de Deus, para o mundo e para a realidade, é que Rafaela quis olhar. Um olhar contemplativo que leva a uma ação para os mais pequenos, os mais pobres da sociedade.
Para nós da Família ACI, que chegamos com o desejo de aprofundar e construir nossa identidade como membros desta Família, somente nos resta olhar. E este olhar tem que ser ao estilo de Rafaela Maria, como ela olhava a Jesus o traspassado, e de ali brotou sua maneira de ser, atuar, servir e colaborar com Jesus Cristo em sua missão, como leigos dentro da Igreja, através de nosso carisma: “a Reparação”.
Os momentos de orações foram de muita riqueza, tempo de aquietar o coração, contemplar a natureza, contemplar a presença criadora de Deus nela e nós como parte desta criação, recebendo a vida que segue dando-nos através dela. Somos convidados a reconhecer e saborear o grande Dom que representa a natureza para o ser humano, e assim assumirmos a responsabilidade de cuidá-la, e tornar-nos conscientes de nosso papel de co-criadores. Outro momento de oração foi à adoração, em que rezamos com a receita do pão, deixar-nos transformar, para como Jesus, “fazer-nos pão que se entrega para a vida mundo.” Esses dias foram de muita luz e um renovar as forças e esperanças para seguir o caminho ao estilo de Rafaela. Cada grupo trabalhou propostas para realizar ao longo do ano. Pedimos a Santa Rafaela Maria, que nos acompanhe e nos ajude em nosso caminhar, que nosso coração seja capaz de sempre fazer opção pela vida que Deus nos presenteia a cada novo dia, e que sejamos capazes de oferecer-la a nossos irmãos e irmãs que mais necessitam de nós. |